Baby Jane não chorou quando
nasceu naquela noite de tempestade. Nem uma lágrima sequer. A parteira
estranhou e bateu-lhe nas pequenas nádegas. Ela apenas encheu os pulmões e
olhou em reprovação, como quem pergunta se aquilo é realmente necessário.
Naquele momento um arrepio eriçou os pelos dos braços e cabelos da enfermeira.
Mais um, pensou ela. Mais um Warlock!
Acreditava que já fizera o parto
de alguns deles. Por simples intuição. Sentia que havia algo de errado com
eles, como se a simples chegada daqueles seres ao mundo pudesse alterar tudo a
sua volta. Já vira dezenas de corujas se empoleirarem nas janelas da sala de
parto para assistir o nascimento. Já vira a luz do sol tocar a pele do bebê e
se dispersar em uma miríade de cores, como se uma fina garoa trouxesse o
arco-íris para dentro da sala.
Pensou em sufocá-lo enquanto a
mãe ainda descansava do parto. Coisas do coração do recém nascido, diriam.
Chegou a olhar para os lados para verificar se havia mais alguém na enfermaria,
mas observar os pelos dos braços ainda eretos a fez temer sobre o que poderia
acontecer caso atentasse contra "aquilo".
Colocou-a no pequeno berço e
proferiu: "Amaldiçoada seja", antes de sair da enfermaria, quando
pode respirar aliviada, sem a sensação de que carregava a própria tempestade nos
braços.

Nenhum comentário:
Postar um comentário