quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

Os não nascidos


Os não nascidos

Christine Lanagan foi conduzida cuidadosamente após o julgamento por dois guardas reais e um WarLord até A Academia. Ela, que nunca havia entrado na construção, ficou atônita com os murais de beleza indescritíveis, que pareciam tão reais quanto uma fotografia. Podia jurar que teve a impressão que uma pintura a observava enquanto esperava, sentada em uma cadeira, a chegada de um médico.
Para seu espanto foi uma médica que chegou, trajando um jaleco branco e uma braçadeira negra com a insígnia real, acompanhada por dois assistentes de braçadeiras brancas.
- Tomaremos conta dela daqui para frente, senhores guardas. - disse a médica, sem olhar para seus rostos, como se falasse com as paredes.
Os guardas se entreolharam e marcharam pelo corredor até a saída. A médica sorriu e estendeu a mão até a mulher que observava os homens irem ao longe:
- Como se sente, Srª Lanagan?
A mulher, palida, sorriu e acenou com a cabeça completando com um "bem", enquanto se levantava e caminhava acompanhada pelos três por um longo e silencioso corredor.
A sala era branca, tão branca que fazia doer os olhos. Ela foi despida e colocada em uma camisola verde com uma abertura na parte da barriga. Foi orientada a deitar-se, enquanto a médica posicionava um tripé com uma luz que alternava entre branco e azul.
Ela sorriu uma última vez para a condenada e se dirigiu somente aos dois aprendizes na sala, num tom neutro, nada cordial:
- Não é possível saber se um feto é um Warlock. Teóricos acreditam que apenas com o primeiro sopro de ar, no nono mês de gestação, é possível saber se ela nascerá humana ou Warlock.
Ela posicionou a luz mais próxima da pequena barriga da mãe, que apenas escutava ansiosa.
- Como podem ver, ela está de 20 semanas, ainda falta muito para que seja possível a extração. Teremos que adiantar o nascimento.
- Mas, Lady Murphy, o que acarreta ao feto este adiantamento?
- Absolutamente nada físico. Alguns estudos dizem que podem crescer menos propensos a emoções humanas, pois aparentemente o vínculo com a mãe se forja desde a gestação. Privando-o deste vínculo ele tende a se tornar um adulto menos... subjetivo.
Os dois concordaram com a cabeça enquanto a médica pegava um outro aparelho circular e posicionava sobre a barriga da grávida.
- Adiantaremos o nascimento e verificaremos a criança.
A mulher deitada esbugalhou os olhos:
- Espere? Isso não será um aborto? Vocês vão fazer meu filho nascer? Não foi isso que...
A médica sorriu para ela, sem se preocupar com o que falava:
- Lorde Hardrock, poderia executar a manobra de rigormortis, seguida de movimento excludente  da parte uterina, pois precisaremos das contrações?
Um dos rapazes se adiantou, fez sinal que sim com a cabeça e fez uma seqüência de gestos em direção da mulher, que ficaram gravados com luz verde no ar da sala. A mulher que começava a se debater ficou dura como pedra.

A médica continuou explicando os procedimentos após posicionar o aparelho, fez ajustes na calibração e no tempo necessário. Em poucos minutos a barriga da mãe aumentou consideravelmente, até enfim começarem as contrações.
Não havia gritos, não havia suor, apenas sua barriga e pernas que se contraiam e as vezes chacoalhavam, o que era esperado, segundo a responsável.
40 minutos depois de iniciado o procedimento nasceu o primeiro bebê e 5 minutos depois o segundo.
Foi dada aos dois aprendizes a tarefa de verificar a sorte, com o uso de uma pedra seletora, que coletou uma gota de sangue de cada recém nascido. O primeiro era humano e foi encaminhado para o descarte.



Nenhum comentário:

Postar um comentário